Situação do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, 6 de março de 2018

Ao Conselho de Administração da EBC,

A situação de precariedade das instalações da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), no Rio de Janeiro, atingiu nível insustentável.  Há mais de um mês, equipes desafiam altas temperaturas para colocar no ar notícias e programas nas nossas emissoras de rádio, agências e na TV Brasil, apesar da falta de condições térmicas nos prédios da Rua da Relação, 18, e Avenida Gomes Freire, 474, como atesta documento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), de 22 de fevereiro.

As interrupções do sistema de ar condicionado, em ambos os prédios, ocorre desde 2012, uma vez que a estrutura entregue pela TV Escola à EBC já era obsoleta. De lá para cá, no entanto, nenhuma modernização foi planejada, apesar de relatórios internos apontarem as falhas do sistema e possíveis soluções, elaborados pela própria CIPA e por grupo de trabalho constituído em 2017, já na administração de Laerte Rímoli. No entanto, as melhorias nunca foram prioridade e nunca constaram dos planos de investimentos da empresa na superintendência do Rio.

Este ano, a situação é gravíssima na Gomes Freire, onde estão os estúdios das emissoras de rádio e da TV Brasil, pois o sistema de refrigeração quebrou de vez, em fevereiro. Há pelo menos uma semana, por falta de condições térmicas, que chegam a ultrapassar em mais de 10ºC as recomendações das normas de segurança, e, uma vez que o prédio sequer possui janelas, empregados/as estão tendo que ser dispensados.  Antes, no início do ano, a interrupção da refrigeração ocorreu na Rua da Relação, por problemas na bomba de água, o que é recorrente e o que já colocou em risco a estrutura do prédio. Naqueles dias, o abastecimento foi cortado e, mais uma vez, funcionários dispensados.

Com mais da metade dos 600 empregados/as impactados nos dois prédios, a TV e as rádios suspenderam gravações e programas ao vivo, como o Sem Censura, e o novo jornal da TV Brasil, desperdiçando recursos investidos pelo contribuinte na comunicação pública.

O problema da falta de refrigeração não é o único e se soma às péssimas condições estruturais no prédio da GF, com tetos que desabam sobre a cabeça das pessoas, como também ocorreu em fevereiro, salas e banheiros interditados com infiltrações e risco de despencar. Algumas salas já estão escoradas, devido à queda de partes de alvenaria. Alertamos que, segundo a CIPA, o imóvel pode ser interditado pela Defesa Civil ou Ministério Público do Trabalho a qualquer momento.

Diante da situação, é necessária a transferência das equipes do prédio da Gomes Freire para o imóvel da Rua da Relação. Essa solução permitiria que o telejornalismo, a produção dos programas de rádio e o apoio administrativo possam voltar ao trabalho já. Não entendemos por qual razão a empresa protela a transferência que poderia ter sido bem organizada no final semana.

Também solicitamos uma reunião imediata entre os gestores e empregados/as para discutir soluções e conhecer o cronograma das medidas em andamento. Já sabemos, infelizmente, que o equipamento  alugado emergencialmente não têm condições de atender toda a GF,  uma vez que os estúdios, as ilhas de edição e o acervo devem ter prioridade, por causa do patrimônio em risco.

Requeremos ainda, como prioridade:

  • Contratação de projeto para substituição do sistema de refrigeração;
  • Contratação de projeto para reforma do imóvel da Gomes Freire;
  • Compra imediata de um novo Chiller;
  • Elaboração de projeto para adaptação de estúdio antigo da TV Escola;
  • Obras emergenciais nos banheiros e áreas em risco de desabamento;
  • Contratação de bombeiro hidráulico para os dois prédios;
  • Contratação e implementação do Plano de Prevenção de Combate ao Incêndio;
  • Transferência da fiscalização do contrato de manutenção com a empresa GB da superintendência do Rio para especialista da área técnica (DOTEC);

Ressaltamos que todas as medidas acima já foram recomendadas em documentos internos. Ainda em 2017, o próprio grupo de trabalho que discutiu o problema da refrigeração no Rio determinou a contratação do projeto para substituição do atual sistema de refrigeração, não é necessário outro grupo. A minuta do contrato, no entanto, não foi elaborada até hoje.

Observamos também que, em vez de obras no sistema elétrico e hidráulico, a superintendência priorizou, ano passado, a modernização das portarias, desviando das necessidades apontadas em laudos técnicos corroborados por documentos da CIPA RJ e de amplo conhecimento.

Da maneira como a crise nesta praça está sendo conduzida, alertamos que administração do presidente Rímoli corre o risco de ser acusada de improbidade administrativa, por órgãos de controle.

Reafirmamos a disposição dos setores afetados em retornar ao trabalho e defendemos que as soluções levantadas sejam tomadas já, a começar pela reunião com o corpo funcional.

Atenciosamente,

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Edvaldo Cuaio e Isabela Vieira

Representantes dos Trabalhadores no Consad

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