NOTA DE REPÚDIO DOS TRABALHADORES DA EBC AO COMPORTAMENTO DO GERENTE-EXECUTIVO ALBERTO COURA

Os trabalhadores e trabalhadoras da EBC, com apoio da Comissão de Empregados, e  seus representantes no Conselho de Administração, repudiam o comportamento praticado pelo gerente-executivo da Agência Brasil, Alberto Coura, contra o repórter e correspondente em Porto Alegre, Daniel Isaía.
Em grupo de Whatsapp utilizado para troca de mensagens entre chefes e correspondentes da Agência Brasil, Alberto Coura criticou o repórter por uma suposta falha na cobertura da sentença do juiz Sérgio Moro que levou a condenação do ex-presidente Lula em primeira instância.
“Daniel Isaía, lamento sua conduta no dia de hoje na cobertura dos processos da Lava Jato. Embora tenha sido alertado desde o início da manhã por Aécio Amado – seu chefe de reportagem – sobre a possibilidade de uma decisão do caso Lula sair a qualquer momento, você desobedeceu.
 
Tratou com desleixo, descuido; não deu a atenção devida à orientação recebida. Você se manifestou quando a matéria havia sido feita e publicada por Brasília.
 
Não foi surpresa para mim que agências internacionais, contando com profissionais mais empenhados, tenham dado a nota da condenação de Lula muito antes da Agência Brasil.
 
Lamento também que dê argumentos àqueles que questionam as funções e a eficiência da EBC”
 
O repórter Daniel Isaía fazia seu horário de almoço no momento em que foi publicada a decisão do juiz Sérgio Moro. O magistrado estava com os autos do processo para sentença desde o dia 21 de junho. Há três semanas, a sentença estava para sair a qualquer momento.
Alberto Coura busca eximir-se da sua culpa e de sua deficiência de planejamento ao atribuir ao repórter a responsabilidade pelo atraso na publicação da reportagem. Diversos veículos já possuíam reportagens parcialmente prontas, e inclusive chamou a atenção nas redes sociais que Veja e Estadão publicaram matérias mencionando uma pena de “X anos”, o que comprova que o texto já estava escrito aguardando apenas uma edição que por descuido não aconteceu antes da veiculação.
Houvesse planejamento, a Agência Brasil teria feito o mesmo, ficando responsável pela publicação do texto algum editor que estivesse em expediente no momento do ocorrido. Houvesse planejamento, a Agência Brasil também teria um correspondente em Curitiba, acompanhando de forma mais precisa todo o julgamento da Operação Lava-Jato, assim como fazem todos os veículos jornalísticos de algum vulto no Brasil.
Ressalta-se que um repórter de Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo teria as mesmas possibilidades de cobertura do que um correspondente em Porto Alegre, já que estamos falando de um fato ocorrido em Curitiba. Portanto, ante a falta de preparação prévia já mencionada, seria plausível que assumisse a pauta a pessoa que no momento do ocorrido estivesse posicionada de frente a um computador e a um telefone.
Mas o gerente-executivo prefere subverter a lógica do jornalismo como trabalho de equipe e individualiza o problema, ignorando o direito ao intervalo intrajornada para almoço caro a todo trabalhador. Chama atenção ainda que a mensagem não foi enviada em privado e sim em rede social da qual participam diversos profissionais, expondo o repórter e amplificando o absurdo.
Importante lembrar que este não é o primeiro caso lamentável envolvendo o gerente-executivo. Outro repórter já foi repreendido de forma rude em lista de e-mail ao questionar uma ordem sobre a obrigatoriedade da assinatura de matérias. Além disso, setoristas foram trocados de área sem justificativa e sem nenhuma consulta prévia.
Este tipo de situação também retrata a realidade vivenciada frequentemente por correspondentes da EBC, que têm seus horários de trabalho alterados diariamente, são convocados para plantões de véspera e são acionados diversas vezes nos intervalos de almoço, nos períodos de descanso, nos finais de semana, como se estivessem 24 horas a serviço da empresa.
Cumpre ressaltar que mesmo diante das adversidades, os correspondentes não têm se furtado de suas tarefas, contribuindo para uma cobertura plural, diversificada e regionalizada conforme preza o Manual de Jornalismo da EBC. Trabalho este também mencionado positivamente em algumas ocasiões nos relatórios da Ouvidoria da empresa.
Edvaldo Cuaio e Isabela Vieira
Representantes dos Empregados e Empregadas no CONSAD.
Anúncios
%d blogueiros gostam disto: